Palavra do Presidente

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou, em estudo recente, a incômoda realidade de que o cidadão em nosso país só encontra qualidade no atendimento hospitalar quando paga pelo serviço. Segundo a pesquisa, as famílias brasileiras tem gasto com saúde cerca de R$ 157,1 bilhões (4,8 % do PIB). Estão inclusos nesta conta a aquisição de medicamentos, pagamentos de consultas, internações, planos e demais necessidades médicas. Em contrapartida, a administração pública investiu pouco mais de R$ 123,6 bilhões (3,8 % do PIB) com os mesmo procedimentos.

Outro dado que chama atenção no trabalho feito pelo o IBGE é que nos dois últimos anos, a maior parte das despesas da administração pública com bens e serviços de saúde foi com o atendimento público (66,4% do total). O atendimento privado (hospitais credenciados que prestam assistência suplementar ao Sistema Único de Saúde – SUS) recebeu do governo apenas 10,8% de investimento no mesmo período. A discrepância entre os valores investidos e os gastos necessários ao cidadão deixa clara a necessidade de uma maior atenção ao delicado processo de distribuição de recursos, de um olhar mais cauteloso para o setor hospitalar e ainda a necessidade de se ter uma remuneração compatível aos hospitais que atendem ao SUS.

O Brasil não possui um sistema eficiente de auditoria e acompanhamento da destinação do dinheiro investido, fator absolutamente necessário na gestão dos recursos. Sem receber aquilo que lhe é de direito – acolhimento de qualidade e agilidade no tratamento – o cidadão acaba comprometendo sua verba familiar, escassa em vários casos, com medicamentos e planos de saúde. Além disso, é inegável que o brasileiro está vivendo mais e que essa elevação de faixa etária traz consigo a necessidade de uma política mais eficiente ao tratamento de doenças características da velhice.

O setor Privado está e sempre esteve aberto ao dialogo e à negociação para promover sua participação no sistema de saúde brasileiro. A melhoria deste quadro certamente ocorrerá se houver um incentivo maior as Parcerias Públicas Privado.  A integração efetiva dessas duas esferas pode reduzir custos, gerar maior qualificação profissional e promover atendimento de ponta aos pacientes. As representações assistenciais definiriam estratégias para a promoção da medicina preventiva, evitando a superlotação dos hospitais. Integrado a essa prevenção, as representações privadas assumiriam a medicina curativa, principalmente as classificadas como de alto custo, já que são munidas de melhores equipamentos e métodos mais avançados de tratamento.

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